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17/07/16

SOMOS TODOS MARIA CLARA!!!!!!!!! A tristeza e a mágoa de não poder celebrar o Dia das Mães o resto de sua vida pela ausência do poder público!!!

Uma menina de sete anos de idade chora abraçada a um policial militar. A imagem é um recorte de um cenário trágico, digno de um filme de terror. Simplesmente, não me sai da cabeça. Confesso que o jornalismo nos faz criar uma certa frieza para aguentar a lidar com as desgraças diárias, mas essa imagem vai ficar marcada por muito tempo em minha mente.
A criança implora pela vida da mãe que, há poucos minutos, recebera dois golpes de faca no pescoço.
Cristiane de Souza Andrade, de 46 anos, saiu com a filha para ir ao mercado, perto de casa, no Estácio, e se deparou com seu algoz em algum ponto da Rua Hadock Lobo. O homem exigiu dinheiro. Cristiane disse que não tinha e o indivíduo achou por bem executá-la. Tudo isso a poucos metros da sede da prefeitura do Rio, para quem quisesse ver. Eu, você, conhecidos nossos, amigos e parentes, todos já passamos por este mesmo local em algum momento de nossas vidas no RJ, mas não tivemos o mesmo fim. Fico pensando até quando vou ter essa sorte, vivendo nessa cidade.
Hoje, pela manhã ,conversei por telefone com Valdeci da Silva, o taxista que socorreu a vítima junto com a filha e as levou para o Hospital Souza Aguiar. O relato dele é visceral. Um retrato do nível mórbido que a violência atingiu em nossa cidade.
A morte de Cristiane ocorreu praticamente no mesmo momento em que dezenas de pessoas eram atropeladas por um terrorista, em Nice, na França.
Fico me perguntando se isso não é um sinal. Algo para nos chamar a atenção de que é preciso mudar urgentemente a humanidade. Me senti, de certa forma, um pouco culpada em estar vendo aquela cena e não poder fazer nada. Eu gostaria de poder fazer alguma coisa por essa criança. Eu gostaria de poder amenizar a dor no mundo. Mas a convicção diante de minha pequenez me deixa envergonhada.
Hoje, segui minha rotina, cheguei em minha casa, mas não vou conseguir dormir em paz.
Algo precisa urgentemente mudar nesse mundo. 

  TEXTO - Lívia Bonard

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