Tribunal abre brecha para reduzir pena tricentenária de Sérgio Cabral
Cabral já foi condenado 17 vezes em ações penais decorrentes da Operação Lava Jato e responde a outras 17 ações penais ainda sem sentença.
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| Reprodução - O Globo |
Rio - O julgamento de um recurso de Sérgio Cabral no TRF-2
(Tribunal Regional Federal da 2ª Região) abriu a primeira brecha para que a
pena de mais de 300 anos imposta ao ex-governador do Rio seja
significativamente reduzida no futuro.
Ao reduzir a pena de Cabral em uma das 17 condenações que já sofreu
o juiz federal Abel Gomes, padrasto do atual subsecretário da SEAP-RJ, relator da Lava Jato no TRF-2, afirmou que a punição
ali imposta "pode ser compreendida naquela maior", decidida na
primeira sentença contra Cabral, de 45 anos e 9 meses.
Em seu voto, Abel Gomes considera que, "pelos meios
empregados, condições de tempo, forma de execução e finalidade, os atos de
lavagem aqui tratados e os demais examinados no processo Operação Calicute foram
simultaneamente praticados, a indicar continuidade entre os processos".
Ao considerar um crime continuado, a pena não é mais somada.
Apenas a mais alta passa a ser levada em conta, com um acréscimo de, no máximo,
dois terços. A interpretação pode levar a punição por lavagem de dinheiro, que
atualmente somada supera 131 anos, se reduzir a pouco mais de 16 anos, a
depender dos critérios adotados.
O cálculo final, contudo, ficará a cargo da Vara de Execuções Penais após o trânsito em julgado da condenação. Ele depende de uma complexa combinação e interpretação das condenações. Também será objeto de discussão nos tribunais superiores.
O acordo não estabeleceu a pena a ser cumprida nem em que regime, porque
a PF não tem o poder de definir esses requisitos em suas delações. Contudo, o
advogado busca argumentar que, pelo fato de Cabral ser um colaborador
reconhecido pelo STF, não há mais risco de cometimento de novos crimes –motivo
para a prisão preventiva.
