Será o fim dos hospitais de campanha?



Desde o início da pandemia, vimos um absurdo atrás do outro no Rio de Janeiro. Mas nada parece tão emblemático quanto os hospitais de campanha do governo estadual. Uma conta que começou em mais de R$ 850 milhões para seis meses de funcionamento de 1.400 leitos. Com 1.300, ficou em R$ 770 milhões. E chegou aos dias de hoje com um contrato rompido com a Organização Social Iabas, após dois meses, e R$ 256 milhões já pagos.  De sete hospitais prometidos, há dois funcionando: o do Maracanã e o de São Gonçalo. Ainda assim, longe da capacidade prometida de atendimento.
Pois bem, mais um capítulo dessa história foi contado nesta sexta-feira. Num documento sem assinatura, que pode ser acessado aqui, a Fundação Saúde - escolhida para tomar conta dos elefantes brancos - confirma o que já vinha sendo dito aqui e ali nos últimos dias. Não há mais razão para inaugurar as cinco unidades que faltam para tratar de pacientes com a Covid-19. "Encaminhamos o presente documento para apreciação da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro e pronunciamento quanto ao exposto pois, nesse sentido, entendemos como não recomendada a abertura dos cinco hospitais de apoio restantes como leito para Covid e a readequação dos hospitais já inaugurados à demanda atual da população", conclui.
Tem tudo para ser um fim melancólico de uma política de Saúde que repete os erros de sempre. Mais vale inaugurar um hospital feito de tendas, desde que haja espaço para anunciá-lo como uma obra, do que simplesmente cuidar do que já existe.
Uma tabela que consta no mesmo documento traz os números da capital, de sexta-feira. Havia um total de 2.272 leitos voltados para o tratamento de pacientes com o coronavírus. Ocupados, eram 854. Vagos, 209.  Agora, impedidos - ou seja não disponíveis por falta de condições técnicas ou de pessoal - eram 742.
Então, basicamente o que a Fundação Saúde diz é que, com a quantidade atual de leitos, seria possível atender a uma demanda de um novo aumento de casos, decorrente das medidas de flexibilização da quarentena.
Mas há um ponto: para que isso aconteça, é preciso botar os leitos impedidos para funcionar. Só no Maracanã, são 331 nesta condição, para 53 ocupados, e apenas 12 vagos.
O que se tira de tudo isso não é nada animador. Há cinco unidades em construção que não se sabe exatamente para que servirão, ou sequer se servirão para alguma coisa.
E outra: será que o Poder Público que está liberando as pessoas para irem para a rua terá efetivamente a capacidade de ativar esses leitos já existentes se for necessário?

É uma pergunta que um documento sem assinatura não consegue responder.
 Fonte - Blog do Berta.

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