ONG de Campos ganha contrato de R$ 36 milhões no governo do estado, para administrar Hospital Penitenciário em Bangu
Como tudo deu certo para ONG
ligada a vereador de São Gonçalo ganhar contrato de 36 milhões de reais no governo Witzel.
Uma ONG localizada em Campos, a Associação Filantrópica Nova
Esperança (AFNE), foi vencedora de um processo seletivo para administrar a
Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e o Pronto-Socorro Hamilton Agostinho
Vieira de Castro, que atendem aos detentos do Complexo Penitenciário de
Gericinó, após diversas alterações nos editais, todos os outros cinco
concorrentes eliminados, a entidade ganhou sozinha um processo seletivo para
administrar a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e o Pronto-Socorro
Hamilton Agostinho Vieira de Castro, que atendem aos detentos do Complexo
Penitenciário de Gericinó. Em dois anos de gestão, a previsão é que receba R$
36 milhões.
Para melhor entender a história que levou a Nova Esperança a
conquistar tal feito, dividiremos esta reportagem em três etapas. Em primeiro
lugar, um cronograma que mostra a sequência de fatos envolvendo a ONG,
atualmente uma Organização Social (OS). Depois, como a Secretaria estadual de
Saúde eliminou todos os outros postulantes ao contrato milionário. Por fim, a
ligação política da entidade, que tem na direção o vereador Claudio Rocha de
Souza (PSDB), da Câmara de São Gonçalo, segundo maior colégio eleitoral do
Estado do Rio.
Concorrência sem concorrentes -
Para conquistar o contrato, na teoria, a associação participou do processo seletivo com outras cinco OSs. Na prática, porém, não foi bem assim. Com exceção da Nova Esperança, todas as demais entidades foram eliminadas sob a justificativa de que descumpriram itens do edital. Quatro recorreram da decisão da Secretaria de Saúde, mas foram solenemente ignoradas. Entre os pontos levantados, há questões graves, como o fato de a pasta não ter dado um certificado de aptidão técnica para uma OS que já vem prestando serviços para o estado. E tendo, inclusive, sido contemplada com termos aditivos para gestão de, UPAs pela mesma atual gestão que a eliminou.
Diretor e vereador
Para concluir o roteiro, fomos atrás de algum representante
da ONG Nova Esperança. Tentou os telefones da sede, em Campos, sem sucesso.
Vendo um registro disponível na internet do período da inauguração da filial do
Centro do Rio, constava um e-mail iniciado por “claudiorochamed”. O que
remeteu, por sua vez, a um perfil no Instagram @claudiorochamed:
Ainda sem a confirmação de que o vereador por São Gonçalo era
ligado à Associação Nova Esperança, ligamos para o número da filial do Centro
do Rio que consta no site da Receita Federal. Com tons de surrealidade, assim
aconteceu o diálogo entre o jornalista e quem atendeu o telefone:
Na sequência da pesquisa, a equipe de jornalismo acabou chegando à
confirmação da ligação do vereador com a Nova Esperança através de seu próprio
currículo na plataforma Lattes. Com destaque, está lá o seu cargo como diretor
financeiro da ONG.

Em seu perfil na página da Câmara Municipal de São
Gonçalo, Cláudio Rocha define seu objetivo na política como SERVIR A DEUS NA
VIDA PÚBLICA. Sim, com caixa alta.
Ele foi empossado em 30 de maio, na vaga de Sandro
Almeida, que foi cassado pelo TSE. O vereador é enfermeiro e diz que ingressou
na Marinha aos 17 anos. A equipe de jornalismo também tentou contato com ele através de e-mail
e do telefone do gabinete, mas não obteve retorno.
Paradoxo perfeito
Um grupo formado por Rede D’Or, Bradesco Seguros, Lojas
Americanas, Banco Safra e Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e
Biocombustíveis (IBP) está investindo R$ 45 milhões para a construção de um
hospital de campanha com 200 leitos, sendo 100 de UTI, no Rio, para atender
pacientes acometidos pela covid-19, contrastando de forma gritante com a OS que não terá de construir nada, e sim administrar um hospital sem UTI, poucos leitos e apenas 2 respiradores, onde apenas um está em funcionamento.
Apesar dos questionamentos, os campistas devem se orgulhar
quando uma ONG ou empresa conseguem sair vitoriosos em disputa por contratos
milionários, gerando, de alguma forma, mais renda para a planície campista.


