Mulher de Witzel recebeu dinheiro de empresário preso por corrupção, aponta MPF
O escritório de advocacia de Helena Witzel recebeu valores de uma das empresas de Mário Peixoto, preso há 10 dias por suspeita de corrupção, segundo a investigação
O escritório de advocacia de Helena recebeu valores de uma das empresas de Peixoto, investigada por fraudes milionárias em contratos com o governo Wilson Witzel (PSC).
A investigação aponta que o escritório de Helena mantinha contrato de prestação de serviços por honorários advocatícios com a DPAD Serviços Diagnósticos Ltda., empresa que participa de consórcio com contratos mantidos com o governo do Estado do Rio e com prefeituras na área da saúde. A DPAD tem como sócios Juan Elias Neves de Paula e Alessandro de Araújo Duarte, ambos investigados pela Operação Favorito. Alessandro Duarte teve prisão preventiva decretada pela Justiça Federal do Rio.
A documentação sobre transferência de recursos da empresa de Peixoto para o escritório da mulher de Witzel consta dos autos da Operação Favorito. Essas evidências foram encaminhadas à Procuradoria-Geral da República (PGR), porque Witzel tem foro no Superior Tribunal de Justiça (STJ) por ocupar mandato de governador.
Esses documentos foram juntados à investigação que apura o envolvimento de Witzel em contrato no valor de R$ 770 milhões para a construção de hospitais de campanha no Rio. Com base neste inquérito, o ministro relator do caso no STJ, Benedito Gonçalves, determinou as buscas e apreensões realizadas em endereços vinculados ao governador Witzel, a partir de pedido do MPF
Estrutura hierárquica"
O MPF vê uma "estrutura hierárquica", montada a partir de Witzel, ligada ao esquema de desvios de recursos públicos destinados ao combate ao coronavírus no Estado. "As provas coletadas até esse momento indicam que, no núcleo do Poder Executivo do Estado do Rio de Janeiro, foi criada uma estrutura hierárquica, devidamente escalonada a partir do governador, que propiciou as contratações sobre as quais pesam fortes indícios de fraudes", disse o MPF no pedido encaminhado ao ministro Benedito Gonçalves, do STJ.
O ministro foi o responsável por autorizar as buscas e apreensões contra o governador e a primeira-dama. Na decisão, o ministro reforça a necessidade de que as medidas sejam cumpridas com rapidez. "Estamos tratando de supostos ilícitos cometidos por alguns investigados com conhecimento jurídico, cuja obtenção da prova torna-se bastante difícil", apontou.
Antes de entrar na política, Witzel foi juiz federal e a mulher dele possui um escritório de advocacia, que também foi alvo de buscas nesta terça-feira.
Na peça, o MPF diz ainda que provas provenientes da Justiça Federal do Rio "demonstram vínculo bastante estreito e suspeito" entre a primeira-dama e Mario Peixoto.
O inquérito no STJ foi aberto em 13 de maio e os mandados que foram cumpridos hoje foram solicitados pela PGR na semana passada.
Em seu despacho, o ministro do STJ autorizou a apreensão de celulares e aparelhos eletrônicos e a quebra de sigilos dos dados dos investigados
