Conselho quer fim de isenção fiscal de R$ 600 milhões por ano dada por Witzel a usinas de energia

Órgão ligado ao Ministério da Economia dá prazo de 30 dias ao estado para revogar decreto que beneficia indústrias

Imagens - Google

Um decreto que concede tratamento tributário especial a usinas de geração de energia termelétrica a gás, assinado pelo governador Wilson Witzel e publicado terça-feira no Diário Oficial do estado, foi condenado pelo Conselho de Supervisão do Regime de Recuperação Fiscal, que o classificou como uma “flagrante violação às regras” do acordo de socorro financeiro firmado entre o Rio e a União. Em representação encaminhada nesta quarta-feira a Witzel e aos secretários de Desenvolvimento Econômico e de Fazenda, Lucas Tristão e Luiz Claudio Rodrigues de Carvalho, respectivamente, o órgão destacou que a iniciativa não foi aprovada pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz). Além disso, alertou que, se o incentivo fiscal não for revogado, o estado terá 30 dias, a partir do recebimento do ofício, para informar como espera compensar a receita de R$ 600 milhões por ano que planeja abrir mão com a concessão do benefício.
Pelo Decreto 46.944, que tem como objetivo atrair empresas de porte para o estado e impulsionar a exploração de campos do pré-sal, o estado zera, até 2032, uma alíquota de 12% do ICMS sobre a compra de gás, máquinas e equipamentos. O deputado federal Pedro Paulo (DEM) explica que o ato de Witzel beneficia tanto empresas que querem se instalar no Rio quanto aquelas que desejam renovar seus parques industriais. Segundo ele, a iniciativa vai na contramão de uma série de medidas de austeridade que o estado deve tomar. O Regime de Recuperação Fiscal estabelece, por exemplo, que o governo fluminense tem de reduzir em 10%, a cada ano, o montante de incentivos fiscais concedidos. No entanto, no último balanço do conselho que fiscaliza o cumprimento das exigências, há a indicação de que o Rio está R$ 1,45 bilhão abaixo dessa meta.
— O Rio entrou no regime porque estava em uma situação financeira grave. É um paciente em recuperação numa UTI. Uma decisão dessas, que descumpre regras do ajuste e que foi tomada sem consulta ao Confaz, é muito ruim, ainda mais num momento em que o estado renegocia itens do acordo — disse Pedro Paulo.
Após o Conselho de Supervisão do Regime de Recuperação Fiscal se manifestar sobre o caso, uma cerimônia de assinatura simbólica do decreto, marcada para as 10h desta quinta-feira, foi cancelada. Ninguém do governo do estado comentou o assunto. Por meio de assessores, Witzel e Rodrigues de Carvalho afirmaram que a resposta seria dada por Tristão. Procurado pelo GLOBO, ele também não se pronunciou.
Alerj tenta anulação
Nesta quarta-feira, o presidente da Assembleia Legislativa (Alerj), André Ceciliano (PT), e o deputado estadual Luiz Paulo Correa da Rocha (PSDB) apresentaram um projeto de decreto legislativo para sustar os efeitos do ato do governador. A proposta deve ser votada nesta quinta, em sessão extraordinária.
— Uma medida de renúncia fiscal não pode ser decidida por decreto. É preciso ser apresentada através de um projeto de lei. Nele, devem constar informações sobre o impacto econômico do decreto para o estado, assim como as formas de compensação da renúncia de receita. Isso, no entanto, não foi feito — afirmou Luiz Paulo.
Nos corredores da Assembleia Legislativa, há uma articulação para que o projeto de decreto legislativo seja aprovado. Isso porque, dizem deputados, a iniciativa do governo partiu de Tristão, que está com relações estremecidas com a Casa. Parlamentares o acusam de fazer grampos em seus telefones.


Fonte: O Globo.com

Mensagens populares deste blogue

Bolsonaro diz que Forças Armadas podem ir às ruas para 'acabar com covardia de toque de recolher'

Operação Iscariote prende mais um traficante travestido na pele de policial penal

CORRUPÇÃO NA CHEFIA DA "C.O.R.E", E ACORDOS COM O TRÁFICO, SÃO VERDADEIROS RESPONSAVEIS POR MORTES DE AGENTE DE SEGURANÇA DO ESTADO