Servidor é ameaçado por "Jagunço" do SINDSISTEMA


Editora Abril
ENTREVISTA EXCLUSIVA COM O INSPETOR EVANDRO DA SEAP, VÍTIMA DE PERSEGUIÇÃO POLÍTICA SINDICAL

No último dia 25 de novembro de 2019, de manhã, viralisou, nas redes sociais, um pedido de ajuda inusitado de um servidor público da SEAP, o Inspetor Evandro, lotado no Grupamento de Segurança e Serviços Externos GSSE de Niterói, região metropolitana do estado do Rio de Janeiro.
Reproduzimos, na íntegra, o referido pedido.

" INSPETOR EVANDRO PEDE AJUDA À CATEGORIA

Companheiros e companheiras, acabo ser ser violentamente agredido moralmente pelo ISAP ONILDO em meu local de trabalho.

Estava retornando à base do GSSE de NITERÓI quando fui abordado pelo ISAP ONILDO, membro da diretoria do SINDSISTEMA.

Onildo, na frente de todos, inclusive da guarnição da PM, que estava ali para tirar satisfações comigo.

Fez questão de dizer que o faria na frente de todos.

E começou a me comunicar que estava ali para me dizer que se eu fizesse novas críticas à Diretoria do SINDSISTEMA o incluindo no bojo (ele é da Diretoria do Gutemberg), que "o papo dele comigo seria outro".

Afirmei que Gutemberg e sua diretoria parasita traiu a categoria ao defender a privatização do Sistema Penitenciário de contrabando, e que minhas críticas eram de natureza política e não pessoais. E que inclusive nunca havia citado o nome dele em meus áudios e vídeos.

Foi então que Onildo me perguntou se eu teria coragem de tirar o uniforme e confronta-lo fisicamente, tal como nos duelos medievais, no Horto, um parque que fica em frente ao complexo.

Um duelo à moda medieval não pode ser recusado por um cavalheiro digno deste nome. Seria um ato repugnante que me envergonharia para sempre. Aceitei, mas não obtive autorização.

Chama a atenção o caráter provocativo das atitudes do Sr. Onildo. Na frente de todos, inclusive da guarnição da PM, me chamou várias vezes de UM MERDA, dentre outras coisas.

Disse-lhe que minhas críticas foram públicas e que ele poderia também se defender publicamente. Mas ficou claro pra mim que o seu interesse era me provocar, fazer-me perder o controle e me prejudicar.

Como não dizer que esta diretoria é composta de parasitas? Parasita é aquele ser biológico que gruda num corpo vivo para, sem ter nenhum trabalho, sugar seus nutrientes do hospedeiro. Toda esta diretoria estava lotada no RH da SEAP sem trabalhar. E recentemente aprovou numa Assembleia fajuta um pró-labore para seus diretores.

O caso do Sr. Onildo é mais grave ainda. Além de não estar trabalhando há bem pouco tempo ( o atual Secretário lotou todos eles em postos reais de trabalho) ONILDO está recebendo ABONO DE PERMANÊNCIA porque já pode se aposentar. Ou seja, não desconta 14% do seu contracheque em previdência. O termo PARASITA não se adequa à tal circunstância?

Onildo me disse coisas que jamais esperaria ouvir de um colega. Afirmou que tirei BIM para cuidar da minha mãe, quando na verdade foi do meu pai. Meu pai era um homem saudável, sargento do Exército.  Mudou-se para embraie, baixada fluminense, para cuidar de minha avó.  Numa bela noite, voltando para casa, foi assaltado por 3 marginais. Meu pai resistiu, caiu no chão desacordado, e os marginais lhe esmagaram parte do crânio com tijolos jogados sobre sua cabeça, e foram embora. Alguém deve tê-lo visto caído e, pensando que já estava morto, cobriram-lhe com um papelão.  Isso é comum na baixada. De manhã, um policial civil passou pelo local e viu meu pai se mexendo. Colocou meu pai no seu carro particular e o levou para o hospital. Lá descobriram que era militar e o levaram para o HCE Hospital Central do Exército.  Coincidentemente, estavam testando uma nova tecnologia de reconstituição buco maxilar, e a usaram no meu pai. Toda a metade do rosto foi reconstituída.  Mas ficaram danos cerebrais. Tempos depois, meu pai começou a ter sucessivos AVCs, foi nesta época que pedi licença para cuidar dele.

Onde está o meu pecado, caro Onildo? Devo lhe dizer que o seu objetivo de me agredir foi mais eficiente do que você imagina. Agressão física nenhuma seria capaz de fazer o que você me fez hoje: relembrar tudo isso.

Hoje, caro Onildo, estou cuidando da minha mãe que teve AVC, e se precisar tirar nova licença o farei. Lamentável você, como "líder" sindical questionar o direito à licença para tratamento de parentes, direito do servidor.

Ocorre que no plantão passado, quando chegava ao trabalho, deparei-me com o sr. Gutemberg.  Nunca iria comentar em público tal conversa, mas acho necessário.

Gutemberg literalmente me cercou (eu não queria falar com ele) e veio com aquela conversa mole de sempre. Deixei claro que não o perdoava por ter traído a categoria ao defender a privatização do sistema penitenciário junto com a bancada da bala Juquinha, uma bala que quem é da minha geração conhece. Disse para ele que não me levava mais enganado e consegui me desvencilhar, sem antes lhe dizer algumas verdades, como a sua desonestidade e de TODA A SUA DIRETORIA no trato dos recursos do SINDSISTEMA, a começar pela falta de transparência no processo eleitoral.

Muito estranho, no plantão seguinte, o sr. Onildo aparecer no meu plantão e fazer questão de me provocar, me chamando de tudo, de covarde e etc, convidando-me para um duelo, enfim... estou convencido de que ONILDO veio à mando do Sr. Gutemberg, com o intuito de me tirar do sério e, por força do desrespeito ao nosso regulamento, prejudicar-me.
Relato isso sem grandes pretensões.  Não pretendo litigar nada e nem prejudicar ninguém.  Cada um que faça o seu próprio julgamento.
Mas fica a percepção de com que tipo de "companheiros" estamos lidando. A meu ver, Onildo agiu como um capanga de Gutemberg, pago para vir no meu trabalho, tentar me humilhar, fazer-me reagir, e com isso me prejudicar.
Deixei claro ao sr. ONILDO que de minha parte jamais partiria agressão física, por duas razões:  ONILDO é bem mais velho do que eu, e seria moralmente indecente agredi-lo por isso. Segundo que embora Onildo tenha dito que nunca gostou de mim, desde o tempo do jornal O ÁGUIA, nunca nutri por ele tal ressentimento. Muito pelo contrário.  Como Guarda, Onildo para mim sempre foi uma referência.  Fiquei surpreso com tudo isso. Disse-me que eu era um merda, mas não soube explicar os porquês.
Lamento tudo isso. Não culpo Onildo por isso. Provavelmente foi empilhado por Gutemberg para fazer isso ou, quiçá, agiu mesmo como capanga. Seja como for, foi da mente doentia do Sr. Gutemberg de Oliveira, embebecido de uma vaidade insana, quase esquizofrênica, que nasceu tudo isso. Gutemberg, neste fatídico encontro, infeliz encontro, chegou a me dizer que a sua diretoria está sendo a melhor diretoria da história do movimento sindical da nossa categoria. Muita loucura.
Peço ajuda da categoria. Não sei o que fazer. Onildo já deixou claro que vai cruzar comigo na rua. O que devo fazer? Não posso agredi-lo. Não seria capaz de agredir um companheiro de classe. Mas devo aceitar o seu duelo? A nossa diferença de idade não deporia contra mim? Estou em pleno vigor físico e Onildo pareceu-me fora de forma, talvez pelas benesses de que vem desfrutando no "sindicato", não sei...

Talvez esta seja a minha última mensagem. Não sei o limite a que tudo isso pode chegar. De minha parte, deixo claro que não usarei de violência física contra ninguém da minha categoria. E sobre a força contundente de minhas palavras, as redes sociais estão aí para não só o Sr. Onildo mas qualquer membro de sua parasitária diretoria possam usa-la para se defenderem.
Lamento que, graças ao governo Bolsonaro, se uma EMBOSCADA DO DESTINO me acolher, minha esposa só vai ter direito, agora com essa Reforma da Previdência, a metade dos meus vencimentos.

PEÇO QUE REPASSEM ESTE PEDIDO DE AJUDA
Inspetor EVANDRO
GSSE NIT 25.11.2019"
Isto viralisou por redes sociais de Inspetores Penitenciários, Policiais Civis, Policiais Militares, chegando inclusive ao conhecimento da Corregedoria Unificada da SEAP-RJ e da AGEPEN - ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS AGENTES PENITENCIÁRIOS DO BRASIL.
Horas depois, o mesmo Inspetor Evandro viralisa um novo texto, reproduzido a seguir, na íntegra, onde demonstra sua preocupação com a perda da liberdade de expressão que vem avançando sem que ninguém tenha se dado conta da gravidade desta situação.
"NOSSA CATEGORIA NÃO PODE SE TRANSFORMAR NUM SINDICATO DE GANGSTER”
Agora mais calmo, fico a relembrar daquele filme com o Charlies Bronson, aquele que relatava da violência com que eram tratados os assuntos sindicais no norte dos EUA, no início do século XX.

Sempre fomos uma categoria onde o respeito entre os companheiros foi marca em nossos movimentos.

Agora, mais do que nunca, quando ascendemos à estatura de Policiais Penais, inadmissivel voltar a um tempo que nunca existiu em nossa categoria: o emprego da ameaça violenta, coação,  produção de terror contra opositores e violência física consumada.

Tomei conhecimento agora há pouco, que não fui o primeiro a sofrer dessas indecencias. Outros já foram até agredidos fisicamente mesmo.

Tudo isso revela que a atual diretoria do SINDSISTEMA agoniza.

Quando enfrentar a crítica faz-se impossível, parte-se para a tentativa de suborno. Quando o oponente é sabidamente avesso a tais práticas,  resta o recurso dos recursos: O EMPREGO DA VIOLÊNCIA.

Em tempos em que beiramos novamente o risco de nova Ditadura, capitaneada por um presidente com fortes ligações com a milícia do Rio de Janeiro, o que aconteceu comigo hoje pode ser um sinal de que novos tempos estão por vir.

Gutemberb e sua diretoria agoniza. Toda semana, mais gente se desfilia do SINDSISTEMA,  um ato de protesto sadio e pertinente.

Tal como qualquer ditadura, há de se calar a oposição, por bem ou por mal.

Precisamos repudiar isso!!!! Esse tipo de comportamento é estranho a nossa classe!!!

Gutemberg converteu-se num opressor agonizado pelo risco da perda de prestígio e credibilidade.

Já faço críticas contundentes à atual Diretoria desde o período anterior às eleições, quando constatei o uso da máquina sindical em defesa de sua chapa. Não há nada de novo de tudo o que venho dito de la pra cá.

Então por que isso com o Onildo um plantão depois de eu ter me encontrado, infeliz e acidentalmente com o Sr. Gutemberg, em frente ao Complexo de Niterói?

Eu sei o porquê. Gutemberg ficou ruminando as duras palavras que lhe disse neste encontro e enviou um dos seus para se vingar. As palavras machucam muito mais do que meras agressões físicas.

Hoje aconteceu comigo. Amanhã pode acontecer com qualquer um que ouse sequer tecer pequenas críticas a esses que considero traidores da nossa classe.

Pensem nisso.

Inspetor Evandro
25.11.2019"


A TRIBUNA PENITENCIÁRIA NEWS entrevista, com exclusividade, o Inspetor Evandro, que aceitou falar conosco sobre o ocorrido para que, segundo ele mesmo, isto não volte a se repetir com outros de sua categoria.
TP Inspetor Evandro, por que pedir ajuda à sua categoria?

IE - Estava confuso, meio tonto. A coisa toda me pegou de surpresa. De repente, no meu local de trabalho, sou abordado por um membro do sindicato, diretor do sindicato, que começa a me xingar, assim, do nada, e você fica tonto na hora. Acho que todos ficaram assim quando viram a atitude do Onildo (diretor do SINDSISTEMA).

TP -  Vocês já tiveram alguma desavença no passado?

IE -  Nunca! Nem divergências políticas. O Onildo nunca discutiu política comigo. Nunca falou numa Assembleia Sindical. Esse é o jeito dele.

Mas fiquei surpreso quando ele me disse que nunca gostou de mim desde o tempo do O ÁGUIA?

TP - O ÁGUIA?

IE - O ÁGUIA era o nome de um jornal que editávamos, eu e vários outros companheiros para a nossa categoria no início deste século. Pregava a construção de um sindicato democrático, transparente e com espaços permanentes para a participação rotineira da categoria. Era mais ou menos isso.
Sempre tivemos uma postura muito crítica em relação ao nosso movimento sindical. Atuávamos muito na base da categoria.
O ÁGUIA era também distribuído em outros lugares, como no MP, na OAB, na ABI, etc. Fazia muito sucesso.
Em muitos momentos, foi graças ao ÁGUIA que conseguimos atropelar diretorias comprometidas com o governo (pelegas) e conseguir vitórias importantes para nós.

TP - Mas o que tem a ver esse ressentimento do Onildo com você e o ÁGUIA?

IE - Acho que isso não tem a ver só com o Onildo. Acho que tem a ver com o nosso passado de quase quatro séculos de escravidão. Somos produto de uma sociedade escravocrata. Fazemos de tudo para esquecermos isso, mas o nosso passado de sociedade escravocrata está tão vivo como antes de 1888, vivo no nosso modo de ver o mundo, de se comportar no mundo.
Numa sociedade dividida basicamente entre senhores e escravos, uns nascem e são treinados para mandar; outros nascem e são treinados para obedecer. Isto, de forma bem simplificada aqui, produziu um povo avesso ao debate, ao pensamento crítico, ao saudável hábito de aprender ouvindo o que o outro tem a dizer, enfim.
No Brasil, quando você faz uma crítica a qualquer coisa, é comum entenderem essa crítica como destrutiva. Quem critica, quem questiona é visto como inimigo. Amigos são os que aceitam sem questionar.
Onildo sempre foi próximo das diretorias sindicais. Foi membro da diretoria do Josias, do Chacrinha, acho que das diretorias do Chiquinho também, e agora do Gutemberg. Acho que a leitura dele sobre O ÁGUIA e sobre mim tem esse viés escravocrata. No fundo, todos nós somos um pouco assim. É fruto de um passado onde quem questionava estava errado, era inimigo e ia pro tronco receber chibatadas.
TP - Agora, dias depois do ocorrido, o que você acha que realmente aconteceu para que o Onildo tivesse essa atitude com você?
IE - Eu acho que qualquer atitude que alguém toma na vida é resultado do que eu costumo chamar de "síntese de múltiplas determinações". Tem esse viés escravocrata, como já disse. Entender quem critica como um inimigo.
Mas tem também o mais grave: a impunidade. Fiquei sabendo que o Onildo já havia agredido fisicamente dois companheiros em situações diversas. Uma, o companheiro Padilha, na própria sede do sindicato, o que é um absurdo, e outra, a do Haroldo, numa Assembleia na sede campestre da entidade em Bangu. E em nenhuma dessas situações o Gutemberg fez alguma coisa. Na agressão contra o Haroldo, outros membros desta diretoria também atuaram como capangas.
Esta impunidade pode ter dado ao Onildo um certo prestígio nesta diretoria. Ele é o cara que cala a oposição. O Onildo virou uma espécie de jagunço dessa diretoria.

TP - Então você acha que a atitude dele foi premeditada e com o aval da diretoria do SINDSISTEMA?

IE - Onildo jamais tomaria essa atitude sem a proteção do Gutemberg. Onildo é o executor. O mandante é o Gutemberg. Não tenho dúvidas disso.
Mas da diretoria eu diria que não, porque ninguém ali vai ao sindicato. São parasitas. Nem na SEAP trabalhavam. Ficavam em casa recebendo do Estado, e agora vão receber também pró-labore do SINDSISTEMA. Mas fiquei sabendo que o atual secretário, ao tomar conhecimento disso, colocou todo mundo para trabalhar.
Os cargos-chave de uma diretoria sindical são três:  presidente, que assina os cheques com o tesoureiro; o tesoureiro e o secretário geral. Os outros cargos são decorativos numa diretoria pelega como essa.
TP - Se não foi da diretoria do SINDSISTEMA, então foi de quem essa agressão premeditada?

IE - Como disse no meu pedido de ajuda, foi do Gutemberg. E as razões estão lá no meu pedido.
Eu dizia que são três os cargos-chave desta atual diretoria. Mas tem um outro, criado nesta gestão, que é extraoficial: o de jagunço. É dele a função de calar, pelo medo, a voz da oposição. Me lembrei agora que um dos slogans que usávamos no jornal O ÁGUIA era "O ÁGUIA: A VOZ QUE NÃO QUER CALAR".

Não há nada de novo no meu discurso contra a atual diretoria. O fato novo foi um acidental encontro com o Gutemberg no plantão anterior ao ocorrido. No plantão seguinte vem o jagunço.
Vamos lá. Digamos que eu perdesse a cabeça e entrasse em confronto com o Onildo.  Hoje eu estaria respondendo Processo Administrativo Disciplinar. Poderia até perder o meu emprego. Um ótimo jeito de se livrar de um opositor. Isso é de uma monstruosidade assustadora!

TP - No seu segundo texto "NOSSA CATEGORIA NÃO PODE SE TRANSFORMAR NUM SINDICATO DE GANGSTER", você parece muito preocupado com a liberdade, a democracia sindical, o uso da violência como método de solução de conflitos. É isso?

IE - Isso mesmo. O que nos diferencia dos bárbaros, no sentido comum do termo, é o nosso caráter social de civilizado. Um bárbaro vive sem lei, sem Estado, sem freios e contrapesos. Um civilizado vive sob regras claras, socialmente aceitas. Vive sob a tutela de um Estado que obedece essas leis. Um Estado que tem o monopólio do uso da violência para que justamente as pessoas não se matem umas as outras nas ruas. Essa é a diferença entre um bárbaro e um civilizado.

Eu me fiz, recentemente, a seguinte pergunta: o Onildo participou de outras tantas diretorias, com outros presidentes, e nunca agiu desta forma. Só agora, com o Gutemberg, surge esse novo comportamento. Então,  o Onildo é apenas um mero instrumento. O mentor, o mandante é o Gutemberg. E isso é muito preocupante porque passou a ser uma forma institucional de conduzir a entidade com o emprego da violência. Essa violência, ao contrário do que eu pensava, não é acidental. É rotineiro, com o oponente escolhido a dedo para que sirva de exemplo. A violência passou a fazer parte da forma institucional de governar a entidade.
Gutemberg trouxe, para a nossa categoria, práticas totalmente desconhecidas entre nós.  Por exemplo, encerrar uma Assembleia sem pôr em votação uma proposta da categoria, ou defender propostas sem consultar a categoria e, o pior, trair a categoria ao defender a privatização do sistema penitenciário.
Mas o mais grave é esse fenómeno que nasceu na sua gestão: o uso da violência como método institucionalizado de calar qualquer pensamento questionador. Daí o uso do termo "GANGSTER".

TP - A AGEPEN tomou conhecimento do fato e entrou com representação na SEAP pedindo providências. Estamos, como você escreveu, vivendo momentos "sombrios"?

IE - Com certeza! Assim como estamos perdendo, a cada dia, todos os nossos direitos sociais e trabalhistas, estamos perdendo também as nossas liberdades democráticas.  O filho do presidente da República prega a volta do AI 5!  Vejam o que está acontecendo com os jornalistas que criticam o governo Bolsonaro. Estão sendo demitidos. Ou demite ou não tem verba de publicidade do governo. O Ricardo Boechat, da Bandeirantes, morreu num acidente de helicóptero até hoje não investigado. Disseram que não tinha caixa preta e encerraram o caso. O piloto era o próprio dono do helicóptero.
Temos um presidente da República que tem projetos de lei que criminalizam os movimentos sociais. Caminhamos para uma situação em que fazer protesto ou greve tende a voltar a ser crime de segurança nacional ou, na versão moderna, ato de terrorismo. A situação é muito preocupante.
Creio que a AGEPEN entrou no circuito porque em outros estados isto também já vem acontecendo, e é preciso matar o mal pela raiz.
Hoje eu fui somente agredido moralmente, coagido a me calar. Amanhã posso sofrer um "assalto" e vir a óbito. Se isso não for estancado agora, não sei onde vamos parar.

TP - O que você gostaria de dizer para a sua categoria neste momento, para terminarmos nossa entrevista?

IE - Primeiro, agradecer o apoio e a solidariedade que tive. Segundo, dizer para ela nunca se calar diante de novos atos como esse. Tem que ser denunciado!
Nossa categoria é uma das categorias mais democráticas de todas aqui no Rio de Janeiro.  Causamos inveja a muitos por isso.
Sempre reinou entre nós um respeito mútuo, uma cordialidade nobre, uma camaradagem linda de se ver; uma elegância em nossos modos de agir e pensar que poucas categorias possuem.
Tudo isso que vem acontecendo não faz parte da nossa cultura, do nosso passado.
Todos devem repudiar esses atos de violência, que se tornaram rotineiros e, o pior, criados e institucionalizados pela atual diretoria do SINDSISTEMA.
Enfim, cabe informar que na qualidade de defensor dos direitos dos trabalhadores do sistema penitenciário do Brasil, ao tomar conhecimento desta aberração ocorrida em baixo das barbas das autoridades constituídas, e tentarem jogar a sujeira para baixo do tapete, tomamos a iniciativa de comunicar imediatamente a ouvidoria nacional, via o FALA BR e a ouvidoria da SEAP-RJ, que imediatamente abriu procedimento.
Carmen Maria Amarante
Tue, Nov 26, 6:29 PM (1 day ago)
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to me, seapssou
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E-MAIL nº 0880/SEAPOU/2019                          Rio de janeiro, 26 de novembro de 2019.
                         
A: Associação Nacional dos Agentes Penitenciários do Brasil
 Da: Ouvidora/SEAP


Senhor Presidente,


             Acusamos o recebimento do e-mail, o qual gerou o número de Protocolo: 2019.11.26/06-1086 neste Órgão e, na oportunidade, comunicamos que remetemos o expediente ao setor responsável para análise.
            Outrossim, informamos que o órgão administrativo com atribuição para análise da reclamação/denúncia/manifestação dispõe do prazo inicial de 30 (trinta) dias para decisão, de acordo com o disposto no art. 16, da Lei 13.460/17.
            A Ouvidoria SEAP agradece a sua manifestação, encontrando-se à disposição para quaisquer questionamentos inseridos na esfera de atribuição deste Órgão.
          Entretanto comunicamos que, para episódios posteriores, no caso de manifestação de Ouvidoria (Reclamação, Denúncia, Solicitação, Sugestão ou Elogio), o (a) solicitante deverá enviar essa manifestação diretamente para o Sistema de Ouvidorias, FALA.BR – Plataforma Integrada de Ouvidoria e Acesso à Informação, disponível em https://sistema.ouvidorias.gov.br/.
            A Ouvidoria SEAP agradece a sua manifestação, encontrando-se à disposição para quaisquer questionamentos inseridos na esfera de atribuição deste Órgão.

Atenciosamente,

Carmen Maria Amarante
Ouvidora/SEAP

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