NOTA AGEPEN BRASIL SOBRE COMENTÁRIOS E VIDEOS POSTADOS EM REDES SOCIAIS
Sobre suposta nota descabida e imoral que recebi de vários
colegas, que teria sido emitida pela federação ou alguém que lhe faça as vezes,
e um vídeo também sem fundamento do presidente do sindicato do Rio de Janeiro e
outros dirigentes da federação, em primeiro lugar, quero dizer que não houve
início de nenhum evento antes do determinado, mas sim a fala de parlamentares
que acessaram o plenário 1 e fizeram uso do seu local de trabalho para falar
com a categoria. As únicas falas feitas antes da chegada do Deputado Léo Moraes
foram pelos deputados Sargento Isidoro e Julian Lemos. Também falou o deputado
Lincoln Portela que inclusive disse que só falaria após a chegada do Dep. Léo
Moraes que tinha chamado a reunião. Os deputados Sargento Isidoro e Julian Lemos
falaram antes pois precisavam se encaminhar ao plenário, onde ocorria a sessão
do Congresso. Agora, se a federação queria barrar a fala de deputados dentro da
sua casa, que fosse lá e barrasse. Se o presidente da federação se acha mais
importante que deputados, que da próxima vez, barre suas falas. Além disso, em
relação a questão alegada pela diretoria da federação, de suposta confusão,
isso só demonstra a falta de liderança e solidariedade em relação aos colegas
que estavam do lado de fora tentando acessar o local da reunião. Primeiro
porque não houve confusão nenhuma, mas era evidente que todos os agentes
queriam ir até a reunião, e pediram pra entrar. Isso congestionou a entrada do
anexo 3, mas passou longe de ser uma confusão. Aliás, o presidente desta
federação, durante os dois dias de mobilização, ignorou a presença de uma
caravana de agentes penitenciários que estavam no lobby que dá acesso às
comissões, não tendo a hombridade de ao menos cumprimentá-los pelo esforço de
estar ali após tantas horas de viagem para a mobilização convocada por ele,
postura incompatível com o cargo de presidente de uma entidade nacional. Isso
só demostra que ele e parte de seu grupo tentam de todas as formas monopolizar
uma luta que é de todos, se colocando como donos da pauta. O que ocorreu de
fato foi que o presidente da federação convocou os agentes penitenciários do
país para irem até a Câmara dos Deputados lutar por seus direitos, e pela
aprovação da Polícia Penal, e dezenas de agentes, devido a falta de liderança e
desorganização da entidade ficaram do lado de fora, e aqueles que tentaram
ajudar e tornar possível o acesso dos colegas às dependências da Câmara ainda
foram hostilizados pelo seu "líder", mandando-os "sair
dali" pois estavam "atrapalhando" e que "ali não era rede
social", como aconteceu com o colega Edivaldo de Minas, que tem nossa
solidariedade. Este fato que foi presenciado por uma dezena de agentes. Na
verdade, a federação que diz representar a categoria hoje tem um líder sem
liderados, que não consegue organizar uma centenas de agentes, até porque os
próprios colegas não confiam nas palavras dele. Muito pelo contrário. As
sucessivas chamadas, dando como certa a votação da PEC 372, quando na verdade
ela ainda não estava sequer na pauta ou tinha sido discutida na reunião de
líderes para inclusão na ordem do dia, demonstram a total irresponsabilidade e
desrespeito com a categoria, que muitas vezes viaja dias para estar no
Congresso militando por seus sonhos. Mas sei o que é isso. Quer a todo custo,
inclusive se aproveitando do esforço dos colegas, usurpando-o, se colocar como
protagonista e dono da pauta, uma pauta que é de todos os agentes
penitenciários. Uma pauta que não tem pai, mas somente tem filhos, que são os
futuros policiais penais do Brasil.
A grande verdade é que esta federação parece não gostar da
base que diz representar. Em agosto, cerca de 700 Agentes Penitenciários de
todo país estiveram em Brasília para a 1ª Marcha pela aprovação da Polícia
Penal. Além de não participar, o presidente da entidade ainda incentivou as
entidades filiadas da federação a não participar dos diversos eventos que
ocorreram em Brasília, apesar dos diversos convites feitos inclusive
pessoalmente. Durante a marcha, houve dois eventos dentro de espaços públicos.
Um na Câmara Legislativa do DF, e outro dentro da Câmara Federal. Apesar da
grande quantidade de colegas que vieram em diversas caravanas, não houve nenhum
relato de problemas surgidos a partir de qualquer agente presente nas
manifestações. Aliás, a marcha foi citada por todos os deputados que
participaram como movimento organizado e surpreendente, pela velocidade e
capacidade de mobilização. Infelizmente, o presidente da federação não
participou de nenhum dos atos, alegando que havia chegado atrasado no DF, o que
mais parece uma desculpa sem fundamento. Em que pese este fato e as tentativas
de desmobilização, a 1ª Marcha foi até hoje o maior e mais organizado movimento
da categoria pela aprovação da Polícia Penal, e com certeza reavivou e deu novo
ânimo não só aos agentes do Brasil, como também demonstrou ao Congresso a força
dos agentes penitenciários.
A Associação Nacional dos Agentes Penitenciários do Brasil,
entidade legítima e que congrega treze associações filiadas e cinco sindicatos
parceiros irá cumprir o seu papel como sempre. Irá oficiar a presidência da
Câmara para averiguar a suposta notícia de que agentes teriam causado problemas
com a Polícia Legislativa, o que na verdade, parece mais uma tentativa de
desmobilização da categoria. Não só isso. Iremos oficiar também no sentido de
garantir que todos os agentes que estiverem presentes possam acessar as
galerias do plenário, em caso de votação. Se a federação não tem mando e nem
condições de organizar a categoria, que não faça mais convocações equivocadas,
pois a base já demonstrou que, mesmo não confiando nas palavras do presidente,
atende os chamados por uma causa maior, que é a aprovação da Polícia Penal.
Digo mais. Tenho certeza que a Agepen-Brasil, sempre que entender necessário,
irá convocar as suas bases, priorizando a participação efetiva da categoria nas
demandas, pois tem como princípios a transparência, o trabalho e a premissa de
realização de todas as pautas da classe, em especial a polícia penal. Não temos
nada a esconder. A posse dos diretores da Agepen-Brasil foi pública, diante de
700 agentes e assim sempre será. E todos os atos e articulações sempre serão
divulgados para esclarecer a categoria da real necessidade de mobilização. Além
disso, a Agepen-Brasil sempre tentou conclamar a união das entidades pela luta
das demandas da categoria. Sugerimos reuniões conjuntas, convidamos o
presidente da federação e suas entidades para atos conjuntos, inclusive para
marcha, mas seus diretores e seu presidente sempre vão na contra mão disso,
acusando uma entidade legítima de ser oportunista. Oportunista é quem foi
contra a edição de outra PEC em substituição à antiga PEC 308, simplesmente por
que esta foi proposta pela Associação dos Agentes Penitenciários da Paraíba.
Isso mesmo, para quem não sabe, o presidente da federação e parte de seus
dirigentes eram contra se fazer um novo texto que pudesse realmente ser
aprovado no Congresso, e só se colocou como "pai" e
"protagonista" da PEC 14 (primeiro número que recebeu no Senado)
quando viu que ela podia realmente ser aprovada. Ainda este ano, a própria luta
pela PEC 372 estava parada, quase morta, e foi só a partir da realização da
marcha que ela ganhou novo ânimo, o que fez o presidente da federação partir
desesperadamente atrás de um deputado que pudesse ser o relator, preterindo
inclusive outros deputados que tem anos e anos de luta pela aprovação da
polícia penal, como o deputado Lincoln Portela. Mas se ele faz isso com quem
sempre deu guarita a ele, imagina o que não faria com os agentes
penitenciários, como fez, ignorando-os e até mesmo tratando com desrespeito
quem saiu de seu lar, deixando pra trás a família e o descanso atrás de um
sonho. Isto está errado. Qualquer um que se disponha a lutar pela causa é bem
vindo, seja estando no congresso, seja mandando um e-mail, seja orando para que
a luta tenha êxito. A PEC 372 é dos agentes penitenciários do Brasil, e não de
presidente de federação ou qualquer entidade. Por fim, quero dizer que não
compactuamos com a política do "agora vai". Isso desmotiva, desmobiliza
e não traz resultado. Somos da política do pé no chão, trabalho e confiança, e
assim seguiremos, até o dia da aprovação da Polícia Penal, maior sonho da
categoria. E todas as vezes que quiserem enganar a categoria, com mentiras e
informações equivocadas, iremos denunciar. Por fim, quero registrar que se até
hoje não temos a nossa profissão constitucionalizada, a culpa é desta federação
e de seu presidente, que sempre faz mais do mesmo, pois ele sim representa o
atraso e a incapacidade de unir a categoria em torno de um objetivo comum. E a
luta, ahhhh, a luta, deve ser feita com verdade. E a verdade, no final, sempre
vence.
Wagner Falcão vice-presidente da AGEPEN-BR
