Judiciário diz que estado fez ‘farra’ e manda pagar salário

Judiciário diz que estado fez ‘farra’ e manda pagar salário

Em decisão polêmica, o juiz da 8ª Vara de Fazenda Pública, Leonardo Ferreira Chaves, determinou que o estado pague hoje os salários dos servidores do Poder Judiciário e, entre os dias 1º e 2 de fevereiro, os vencimentos dos ativos e aposentados do Executivo. Pensionistas de todos os poderes também terão que receber hoje, segundo a liminar da 8ª Vara de Fazenda Pública. É mais um capítulo da novela que se transformou o pagamento dos salários do funcionalismo este mês e mais uma demonstração de que o Judiciário não vai tolerar o atraso no pagamento dos desembargadores e servidores. O governo informou que a Procuradoria Geral do Estado está analisando a decisão.
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
No despacho, o juiz disse ainda que houve “farra com os gastos públicos decorrentes do excepcional momento em que o estado vivia com a arrecadação dos royalties”. E que mesmo com o atual colapso, o Poder Judiciário não vai compactuar com o atraso de pagamento de verba de natureza alimentícia.
Chaves também fixou multa pessoal de R$ 50 mil por dia, caso o governador Luiz Fernando Pezão descumpra a decisão. A liminar também ordena que o estado quite integralmente o valor que resta da segunda parcela do 13º salário, no próximo vencimento, também sob multa pessoal. Neste caso, no valor único de R$ 300 mil.
Na decisão, o magistrado reconheceu a precária situação econômica do Rio, mas destacou a discrepância nas escolhas administrativas feitas. O juiz citou o repasse de verbas “vultosas a empresas privadas para quitação de dívidas; gastos com publicidade e reformas nos palácios Guanabara e Laranjeiras; desconto fiscal de IPVA para as empresas concessionárias de ônibus, cuja lei foi declarada inconstitucional pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio; além da concessão de isenções fiscais bilionárias e o descarte de materiais cirúrgicos novos abandonados no depósito da Secretaria de Saúde”.
MP PAGA HOJE
Em meio à polêmica, o Ministério Público do Estado do Rio paga hoje os salários de seus 902 membros e 3.185 servidores. A instituição atendeu ao apelo do governador Luiz Fernando Pezão, feito na última terça-feira, de usar recursos próprios para quitar posteriormente. O MP-RJ< destacou que os salários não serão pagos com dinheiro do Fundo Especial e sim com recursos orçamentários disponíveis. O valor gasto será reposto pelo Tesouro do Estado no próximo dia 11 de fevereiro.
MAIS DE R$ 80 MILHÕES
Segundo a Secretaria Estadual de Fazenda, a folha de dezembro, quitada no dia 30 do mês passado, foi de R$ 64 milhões para ativos e de R$ 17,19 milhões para inativos do Ministério Público. A folha de pagamento do Poder Judiciário, também de dezembro, foi de R$ 161,85 milhões para os ativos e R$ 92 milhões para inativos. Apesar do pedido de Pezão, o Órgão Especial do TJ se recusou na quarta-feira a usar o dinheiro do fundo e destacou que a lei impede o uso para pagamento de salário.
ANTES DA DECISÃO
Ontem pela manhã, antes da decisão da 8ª Varada de Fazenda Pública, o governador Luiz Fernando Pezão tinha declarado que respeitava a decisão do Órgão Especial e independência entre poderes. Contudo, ele reiterou que se o Tribunal de Justiça quisesse que seus servidores recebessem hoje, teria que usar recursos próprios para efetuar o pagamento de seus servidores e aguardar o repasse no dia 11 de fevereiro. Pelo visto, o novo apelo não sensibilizou o TJ.
DIFERENÇA DE MULTA
A decisão de ontem atende ação civil pública ajuizada pela Federação das Associações e Sindicatos dos Servidores Públicos do Estado do Rio. O advogado Carlos Henrique Jund, que representa a entidade sindical, explicou que a cobrança de multa pessoal e não ao estado vem sendo aplicada pelo Judiciário, como forma de mostrar o verdadeiro culpado da crise: “Não adianta cobrar multa de um estado que está em crise e depois pode reverter cobranças à população”.
QUESTÃO DE PRIORIDADE
Jund explicou que o Poder Judiciário tem amparo jurídico para ordenar data de pagamento do Judiciário. O que não pode é conceder aumento salarial para servidores públicos de outro poder. “A questão é grave porque se trata de verba alimentícia. É necessário que o pagamento dos salários seja a prioridade principal. Há milhares de vidas de servidores, de aposentados e de pensionistas que dependem do seu sustento para viver”.
MANIFESTAÇÃO DIA 3
Na próxima quarta-feira diversas categorias do estado, incluindo o Judiciário, vão participar da manifestação nas escadarias da Assembleia Legislativa do Rio às 15h. A principal motivação é o pagamento do salário no calendário que estava em vigor até dezembro do ano passado. Também querem a quitação da segunda parcela do 13º salário. Já estão confirmadas as presenças de pessoal da Educação, da Saúde e Segurança.

Mensagens populares deste blogue

Bolsonaro diz que Forças Armadas podem ir às ruas para 'acabar com covardia de toque de recolher'

Operação Iscariote prende mais um traficante travestido na pele de policial penal

CORRUPÇÃO NA CHEFIA DA "C.O.R.E", E ACORDOS COM O TRÁFICO, SÃO VERDADEIROS RESPONSAVEIS POR MORTES DE AGENTE DE SEGURANÇA DO ESTADO