Presídio em São Gonçalo tem mortes por falhas no atendimento médico
Desde janeiro do ano passado até agora, 20 presos morreram no Complexo Penitenciário de Guaxindiba, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. Em meio a assassinatos e outras causas de morte, chamam a atenção casos como o de André Guimarães, que estava preso na galeria D, e de Carlos Fernandes, da A. Segundo agentes penitenciários, os detentos passaram mal e morreram por falta de atendimento. Este é apenas um dos problemas da unidade, que sofre com superlotação e danos estruturais.
— Um preso, chamado Ricardo, chegou a ser levado para um hospital da região no carro de um alto funcionário do complexo. Não há uma ambulância de plantão. Também não há atendimento médico. O que existe é um técnico de enfermagem e um ambulatório para casos sem complexidade — denuncia um inspetor da unidade.Segundo o especialista em direito penal e criminologia Neemias Moretti Prudente, que escreveu artigo sobre o sistema prisional brasileiro, ''a Resolução do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária" determina que, para cada grupo de 500 presos, haja um médico, um enfermeiro, um dentista e um advogado.” No complexo, são cerca de 2.200 detentos.
— Meu irmão está lá dentro surtado há duas semanas. Ele toma remédio controlado e não está recebendo o medicamento. A gente até traz, mas eles (a administração) não aceitam sem a receita. Se ele está preso, como vai ter receita? — desabafa a dona de casa, que pediu anonimato, na fila da visita: — A gente não sabe o que eles podem fazer com ele depois.
A Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) afirmou que não faltam medicamentos em qualquer unidade e que a família pode levar remédios para os parentes, desde que tenham receita médica.
A Seap alegou que as duas cadeias que integram o complexo de São Gonçalo têm ambulatório médico, com enfermeiro ou técnico de enfermagem. Em nota, diz que “caso haja necessidade, o interno pode ser encaminhado para a UPA Doutor Hamilton Agostinho Vieira de Castro, no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, ou para um hospital da rede pública mais próximo”. A UPA fica a 66 quilômetros da unidade prisional. A falta de ambulância não foi comentada.
O órgão reconhece que, do ano passado até agora, foram registradas sete mortes na Cadeia Pública Isap Tiago Telles de Castro Domingues e 13 na Cadeia Pública Juíza Patrícia Lourival Acioli. “Vale lembrar que nessas unidades ingressaram 2.375 e 4.367 internos, respectivamente”, concluiu a Seap.
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