Saúde parada, consciência tranquila!

A gente tem escutado muita coisa estranha nos últimos tempos, mas confesso que cheguei a dar um pulo no sofá quando ouvi o governador dizer, numa entrevista ao RJ1 na semana que passou, que estava com a consciência tranquila, quando falava dos feitos de sua gestão durante a pandemia. 
Com um processo de impeachment pela frente, Wilson Witzel tenta jogar para o passado uma crise na Saúde que já teve até um subsecretário preso. O mantra é dizer que tudo está resolvido. Se houve problemas, eles estão sendo devidamente apurados, e vida que segue. 
Está longe de ser assim. 
O momento atual era para ser de consciência pesada e de real reflexão sobre os rumos da Saúde, setor que deveria ser prioridade absoluta para qualquer um que ocupa a cadeira do Poder. 
Na prática, porém, o que se vê é um barco desgovernado. 
Com Edmar Santos insustentável na pasta, o governo apelou para Fernando Ferry, ex-diretor do Gaffrée e Guinle, que deixou por lá muitos desafetos, além de contratos suspeitos, conforme mostrei recentemente no blog
Nos hospitais de campanha prometidos, a situação continua se arrastando. Apenas uma unidade inaugurada, e agora até já se fala em utilizar instalações para cirurgias eletivas. Só que enquanto tentam consertar esse pepino, outros não param de surgir. 
Contratos expirados
Muito se comentou sobre o rompimento do contrato com o Iabas, que entregou apenas o hospital do Maracanã. Mas vou trazer uma informação a mais, que dá uma ideia do buraco em que estamos enfiados. 
No último dia 22 de maio, esgotou-se o prazo do último termo aditivo em vigor com o mesmo Iabas para a gestão do Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias. Ou seja, é uma unidade sendo administrada pela Organização Social defenestrada dos hospitais de campanha, com direito à cereja de bolo de nem mais contrato em andamento ter. 
E não é um fato isolado. 
Uma tabela feita pela própria Secretaria de Saúde mostra que há pelo menos mais três unidades sendo administradas com contratos expirados. O caso mais grave é o do Hospital Estadual da Mulher Heloneida Studart, cujo prazo se esgotou no início de fevereiro. Por lá, a OS é o Instituto Gnosis. 
A UPA de São Pedro da Aldeia, do Instituto dos Lagos Rio, e o Hospital de Traumatologia e Ortopedia Dona Lindu, do Mahatma Gandhi, também entraram na lista dos contratos expirados nos últimos dias. 
Os próximos passos serão provavelmente ir empurrando com a barriga e depois fazer um termo de ajuste de contas, quem sabe um contrato emergencial. 
É apenas um exemplo emblemático de uma secretaria que parece paralisada diante de trocas de comandos e suspeitas de corrupção. 
Enquanto isso, as pessoas são orientadas a retomar as suas rotinas, de "forma consciente". 
Difícil, quando quem está à frente da gestão fluminense está com a consciência tranquila enquanto tudo 

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