Os secretários privatistas do (des)
governo do Rio de Janeiro vem usando a Lei de Responsabilidade
Fiscal (LRF) para justificar seus planos draconianos de demitir
servidores estatutários e cortar salários. A mídia corporativa ecoa
essa versão sem medo de ser feliz ou, pior, de fazer um mínimo de
Intrigado com esse uso da LRF para tentar
justificar o injustificável, me pus a procurar o que efetivamente está
na letra da lei sobre os limites impostos ao pagamento de salários e,
mais especificamente, se o pagamento de aposentados conta como gasto
para estimar a obediência dos limites estipulados.
E vejamos o que eu encontrei (Aqui!):
“A regra geral é a de que os
proventos dos aposentados são considerados como despesas com pessoal,
conforme prevê o art. 18 da LRF. Porém, somente aqueles pagos
diretamente pelos cofres públicos, pois os benefícios pagos à conta de um regime previdenciário próprio estão excluídos de tais despesas. (art. 19, § 1º, VI)”
Pela minha parca interpretação, os
servidores estaduais do Rio de Janeiro possuem sim um regime
previdenciário próprio e que está consagrado por várias leis que
estabelecem o RioPrevidência como o seu fundo ( Aqui!).
Mas aí é que a porca torce o rabo. Como
já abordei aqui neste blog em diversas postagens, o RioPrevidência foi
colocado numa posição praticamente de insolvência a partir da aprovação
da Lei 2.666/2013 e da posterior constituição do “Rio Oil Finance Trust Pension Fund” no paraíso fiscal de Delaware (EUA) cujas idas e vindas causaram graves prejuízos aos servidores da ativa e aposentados.
Assim, antes que se fale em demitir
servidores ou cortar salários, há que se apurar a razão pela qual o
(des) governo do Rio de Janeiro está tendo que usar recursos próprios
para bancar o pagamento de aposentados e pensionistas. Como já
sinalizei aqui, essa apuração é que deve ser cobrada pelos sindicatos
dos servidores públicos de forma urgente. Do contrário, vamos ver a
mídia corporativa vendendo a falácia de que a incapacidade de honrar
salários e aposentadorias advém de um crescimento exorbitante da massa
salarial.
Finalmente, uma pergunta que eu gostaria de fazer ao secretário de Fazenda Júlio Bueno: quem são os donos do “Rio Oil Finance Trust Pension Fund” e como foram usados os US$ 3.1 bilhões que foram captados a partir da sua criação em 2014?
Fonte - https://blogdopedlowski.com/