A Secretaria de Administração Penitenciária do Estado do Rio de Janeiro conta com aproximadamente 5.541 servidores ativos em seus quadros, com 52 Unidades Prisionais e por volta de 46 mil presos , o número de servidores não é o ideal porém aceitável. Mas só seria aceitável se todos esses 5.541 servidores estivessem efetivamente alocados na atividade fim, a custódia de presos. A realidade que se vê nas turmas de plantão é desumana, repugnante e contra todas as convenções de condições de trabalho, até mesmo da ONU que recomenda um agente para três presos, o que se vê na maioria das UPs da SEAP/RJ é super lotação de presos e escassez de inspetores, chegando a 3 inspetores por turma de plantão. Segundo levantamentos existem 1300 agentes adidos em outros órgãos e alguns “fantasmas” que inexplicavelmente nunca tiveram lotação. Durante o curso de formação na Escola de Gestão Penitenciária as cartas já são marcadas, filhos, parentes, conjugues, amigos e etc. de pessoas influentes no meio político e social prestam o concurso para obterem uma matricula e serem colocados a disposição do órgão com o qual sonham, como Tribunais, ALERJ, MP, outras Secretarias do Estado, causando um tremendo rombo funcional na SEAP/RJ, por mais que se façam concursos a defasagem de servidores nas Unidades continuam, sacrificando tanto o administrativo quanto os plantões de 24 horas, para se ter uma ideia com esses 1300 servidores ausentes, daria para se implantar uma quinta turma passando a vigorar a escala de 24x96 o que seria um alívio para os inspetores da atividade fim, mais horas de descanso. Sendo considerada a profissão mais perigosa do mundo, podemos dizer uma das mais insalubres também, a vida útil de um servidor penitenciário no “miolo” de uma cadeia é de 5 a 10 anos tendo em vista sofrerem as consequências do estresse , moléstias, doenças mentais, assédio moral , sem nenhuma assistência por parte do poder pública e comissões de direitos humanos, o servidor é largado a própria sorte ao sair do curso de formação, aliás na próprio passagem pela EGP já se começa a sentir o descaso com servidores, ao atrasarem pagamento de bolsas ou até mesmo o não pagamento, muitos alunos largam seus empregos para poderem passar pelo curso em horário integral e muitos durante esse período(3 meses) sobrevivem exclusivamente da bolsa auxílio de 80% do salário. Após todo esse desgaste na EGP, o que seria motivo de alegria para um servidor se torna um pesadelo, a lotação. A maioria é lotada a centenas de quilômetros distante de sua residência . Quem mora na cidade do Rio de Janeiro é lotado em Campos, Itaperuna, Volta Redonda por exemplo, sem nenhum auxílio do governo, tendo que arcar com despesas de transporte ou possível moradia no local. E quem mora nas cidades citadas são lotados na cidade do Rio de Janeiro, portanto uma total descrepancia e descaso com os direitos sociais que diz:
Os direitos sociais surgem no prisma de tutela aos hipossuficientes, “assegurando-lhes situação de vantagem, direta ou indireta, a partir da realização de igualdade real (...) Visam, também, garantir a qualidade de vida”[17] das pessoas.
Enquanto isso os “apadrinhados” escolhem suas lotações e um seleto grupo nem trabalha, contando com a certeza da impunidade e que nunca serão descobertos, pois a própria administração coaduna com está prática imoral. Os inspetores das Unidades se sacrificam em prol do “bem estar” deste grupo grande de espertos, Unidades como Vicente Piragibe(VP) e Plácido Sá Carvalho com média de 3500 presos contando com 7 a 8 inspetores por turma, entre estes vários entram de licença médica devido as péssimas condições de trabalho e por agressões sofridas por parte dos presos, que observam atentamente a fragilidade em que se encontram as prisões neste estado, a situação carcerária no Estado do Rio de Janeiro hoje é uma imensa panela de pressão, uma bomba relógio, situação esta bravamente controlada por esses heróis anônimos, Inspetores Penitenciários. Heróis que saem de seus lares a cada plantão sem saberem se irão resistir mais um dia a esse massacre por parte do poder público incompetente e que não tem nenhum interesse em solucionar este problema antigo. Não interessa aos gestores manter uma unidade prisional em ordem, o caos trás lucros estratosféricos, superlotação trás lucros às cantinas, poucos guardas na turma deixa presos “à vontade” uma bola de neve que só prejudica o guarda de “miolo” que ainda deve se manter calado sem fazer críticas a gestores omissos e covardes, pois se falarem algo sofrem represálias, porém existe uma arma melhor e mais eficiente do que falar, a caneta e o conhecimento de seus direitos. O inspetor deve tornar praxe escrever em livros de partes diárias todas as deficiências do setor o qual foi escalado, se conscientizar que palavras vão com o vento principalmente de “chefes”, agentes da atividade fim estão em seu seus limites, portanto se mostram anestesiados, existe um conformismo com situação tão degradante, existe o medo em cobrar seus direitos, existe a descrença com a punição aos maus gestores, esse trabalho de conformismo e descrença foi implantado estrategicamente por gestões covardes que distribuíram punições como se fosse algo tão normal quanto dormir, comer, tomar água. Nenhuma Administração ganha tanta confiança em praticar atos ilegais com revestimento de legalidade através de estatutos, se o servidor se unir, se manifestar, terem plena convicção de seus direitos e principalmente denunciar aos órgãos competentes as mazelas cometidas.
Cabe a cada um dos servidores o dever de cobrar melhores condições de trabalho se unindo a um Sindicato de Classe forte, que não tenha acordos obscuros com Administradores, um sindicato limpo, transparente em suas prestações de contas e feitos. É fundamental a união de todos em prol do bem estar da classe pois do jeito que está todos entrarão em colapso irreversível.

