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27/08/15

MP-RJ investiga cartel em licitação para quentinhas em presídios

Falsa oração publicada em jornal mostrou quem venceria com antecedência.
Negócio bilionário tem participação de empresa que superfatura merendas

Empresas são acusadas de fraudar licitações, cobrar mais caro pelos produtos e não entregar o prometido nos presídios. O negócio é bilionário e tem a participação da mesma empresa que é suspeita de superfaturar merenda nas escolas de São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. A informação foi divulgada pelo RJTV nesta quarta-feira (26).

Uma mulher publicou em um jornal, com cinco dias de antecedência, quem venceria a licitação para entregar quentinhas nos presídios do Rio em forma de oração. A licitação foi dividida em lotes e cada frase cifrada da oração falsa corresponde a uma empresa vencedora.
A denúncia revela o nome de 11 das 15 empresas que venceram e o que estava no jornal bateu exatamente com o resultado divulgado depois pela secretaria de administração penitenciária. As empresas foram contratadas em 2009 e continuam entregando as quentinhas nos presídios até hoje para cerca de 40 mil detentos.
Falsa oração
A oração falsa deu início a uma grande investigação, que mostrou mais do que uma licitação com cartas marcadas. Uma das participantes é a Home Bread – a mesma empresa suspeita de superfaturamento da merenda escolar em São Gonçalo. No lote vencido pela empresa, todas as oito concorrentes dela aparecem com o mesmo valor de lance: R$ 15,41. A empresa ganhou ao cobrar um centavo a menos.

O Ministério Público diz que o somatório dos fatos e documentos revela a ocorrência de cartel nesta compra e que para aumentar o preço existem concorrentes que sempre oferecem proposta apesar de nunca vencerem a licitação.
Um relatório do Ministério da Justiça aponta que em situações como essa, as empresas cobram até 20% a mais, mas o prejuízo para os cofres públicos pode ser ainda maior se a empresa não entrega o prometido.
Seis anos de prisão
Além do Ministério Público, a Delegacia Fazendária e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) também investigam a licitação. Desde 2009 até agora, nenhum inquérito ou processo foi concluído. Se as irregularidades forem comprovadas as empresas podem receber multas, a sociedade desfeita e os donos responder por crimes que dão até 6 anos de cadeia.
Enquanto não sai uma decisão, a Secretaria de Administração Penitenciária fez um novo contrato com as empresas com preços menores. Diz ter melhorado a qualidade das quentinhas e economizado R$ 2,4 milhões nos últimos seis meses.
Só este ano, o Cade conseguiu identificar a mulher que fez a denúncia no jornal em forma de oração. Ela é dona de uma das empresas que venceram a licitação, a Real Food. Chamada a contar por que denunciou, Maria Natália de Souza Alves mandou o advogado dizer que aos 75 anos não poderia ir até Brasília.

http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2015/08/mp-rj-investiga-cartel-em-licitacao-para-quentinhas-em-presidios.html

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